domingo, 19 de abril de 2015
Conferência Ecologia & Espiritualidade
'Deus, Natureza, Mulher' é a comunicação integrada no tema 'Ecologia e Espiritualidade' - uma iniciativa SEA e Instituto Superior Justiça e Paz. A Professora Maria Luísa Ribeiro Ferreira, uma especialista em Espinosa tem obra vasta na área da educação, do pensar no feminino, dando a conhecer mulheres que se destacaram na reflexão sobre problemáticas contemporâneas, nomeadamente as que dizem respeito a questões ambientais. Neste particular destaca-se a sua pesquisa na área do Ecofeminismo, uma corrente de ética ambiental que defende que a exploração da natureza é , historicamente, paralela à exploração da mulher e tem sido culturalmente determinada por um sistema patriarcal que subordinou a emoção, o coração, o cuidado ao império da racionalidade técnica.
http://www.justicaepaz.com/index.php
terça-feira, 7 de abril de 2015
Colóquio - Ética, Teoria e Prática
Dia 15 de Maio, 10h15, Anfiteatro III, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Anfiteatro III.
O Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, o Goethe-Institut Portugal e a Sociedade de Ética Ambiental têm o prazer de convidar V.Exa. a assistir ao colóquio Ética, Teoria e Prática, in memoriam de Cristina Beckert, com o convidado internacional Martin Seel.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
A estética da Terra- Aldo Leopold e Holmes Rolston
Aldo Leopold o belo natural e o bem
"Um olhar de relance pelas teses de eticistas na
esteira de Leopold (Callicott, Rolston, Hargrove, Sagoff, entre outros),
descobre sem esforço a sua crença na relação íntima entre a estética e a
ética ambientais. Com efeito, quando Leopold afirma que «algo é bom quando
tende a preservar a integridade, a estabilidade e a beleza da comunidade
biótica» condensa
diferentes planos (ecológico, estético, moral) num mesmo horizonte de
significado – se a beleza se impõe como presença no mundo, ela deve
constituir-se, por isso, como fundamento de moralidade, um imperativo do agir.
A leitura do Sand County Almanac sugere-nos que os eixos cardinais da ética da
terra - equilíbrio, integridade e beleza - constituem um cluster, uma unidade de itens correlacionais, agregados de modo em
que a beleza natural se perspectiva como configuração expressiva da integridade
e equilíbrio da natureza. Neste sentido, o belo natural surge, na obra de Leopold,
como manifestação tangível da «saúde» dos ecossistemas a uma dada escala
espácio-temporal, que o ser humano deve preservar e amar. ... A presunção da correlação entre os valores ecológicos, os
valores estéticos e os valores éticos guia a escrita do Sand County, como se a beleza do mundo natural, a sua presença
irradiante e multiforme, se impusesse ao homem e ao agir, não como obrigação,
mas como doação pródiga que incita aos sentimentos de amor e de cuidado,
convidando ao bem ou, o que é o mesmo, à preservação dos equilíbrios naturais." Maria José Varandas, excerto traduzido de:
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Quando a extinção da biodiversidade é um problema ético .
A 6ª grande extinção está já aí diante de nós. Segundo o
Programa Ambiental das Nações Unidas
(UNEP), entre 150 a 200 espécies extinguem-se em cada dia. Esta é uma tremenda e acelerada perda
da biodiversidade, numa escala que não tem paralelo nos 66 milhões de anos de história
geológica.
Será que se pudermos fazer reviver uma espécie extinta o
deveremos fazer?
Cada vez mais é plausível que o possamos fazer, graças aos
avanços em biotecnologia e clonagem. E, neste caso, para os adeptos da
des-extinção a questão a colocar seria” que espécie deveria ser ‘ressuscitada’ primeiro?”
O que este problema nos
mostra é que a ciência anda uns passos largos à frente da ética. Podemos fazê-lo sim, mas devemos?
Talvez a opção pela des-extinção seja a resposta adequada, entre uma
série de medidas extremas, para responder aos níveis actuais da perda da biodiversidade provocados sobretudo pela acção humana. Mas que via adoptar?
Clonagem e biotecnologia?
Recriação dos espaços selvagens?
Migrações controladas?
Re-introdução de espécies ameaçadas ou extintas em habitats próprios?
Leia os argumentos em defesa ou contra a des-extinção aqui e
formule a sua opinião.
Ver 10 espécies extintas em:
The sixth
great extinction is upon us. According to the UN
Environmental Programme’s Millennium Ecosystem Assessment, 150-200
species go extinct each day. This is a startling loss of biodiversity, on
a scale not witnessed in 66 million years of geologic history. If we can revive
an extinct species, should we? That we could bring back an
extinct species is less and less in doubt, thanks to advances in
synthetic biology and cloning. In fact, some proponents of
de-extinction think the important question now is simply,
which extinct species should be revived first? One thing is clear: when it
comes to de-extinction, the science is way ahead of the ethics. Perhaps
de-extinction is among the most extreme actions one might take in response
to the current rapid rates of extinction. Where would you draw the
line? De-extinction? Other synthetic biology techniques? Biotechnology?
Re-wilding? Assisted migration? Reintroduction of extirpated
species? With this series we invite you to consider
our moral responsibility, as the drivers of the sixth extinction. In promoting
and protecting biodiversity, where would you draw the line? How far should we go…?
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Ecologia e Política
"A ideia de que é possível ser ecologista e defender o ambiente sem que isso implique uma proposta de paradigma político com impactos radicais nos processos económicos e na estrutura sociopolítica de uma comunidade é apenas isso, uma ideia. Qualquer modelo que tenha os interesses ambientais em conta tem de assentar numa concepção de sociedade e esta tem de se fundar em noções, mesmo que vagas, de direitos, de liberdade, de relações entre os cidadãos, entre outras.
A ideia do ecologismo como um bem em si mesmo exterior ao posicionamento sociopolítico é não só vazia de conteúdo, mas perigosa porque promotora de uma benevolência que não questiona as virtudes ou defeitos do "bem" que advoga e que só pode resultar num posicionamento ou politicamente conservador ou perigosa e inconscientemente próximo do niilismo." Nuno Castanheira: http://mereactofexisting.blogspot.pt/2015/02/ecologia-e-politica.html
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
O que é que a Terra nos pede?
Parece uma pergunta sem sentido, mas perante a imensa prodigalidade deste belo planeta que graciosamente nos sustenta há que colocar a questão. Sobretudo quando abusamos irresponsavelmente dos seus dons. Avancemos, pois, algumas respostas:
Gratidão. Ser grato é ser ético. É ter em consciência o bem e responder com o bem. Ser grato é ser capaz de amar aceitando e reconhecendo o dom do outro. E ao outro que se oferece a nós através daquilo que dá.
Responsabilidade. Ser responsável é ser capaz de responder ao apelo que o outro me lança. De não ofensa. De não abuso. De compaixão.
Amor. Amar é dar-se e acolher o outro. Desejar-lhe bem. Ligar-se.
Se o planeta nos fez assim, agentes livres e responsáveis, ou seja, éticos, esta é a resposta. Assumir a nossa condição. Humana.
Especificamente:
Ter consciência de que somos parte do planeta e estamos intrinsecamente conectados à miríade de espécies que nele são.
Ter em atenção os processos que determinam a economia do planeta- a energia que circula por produtores, consumidores, decompositores- como modelo regulador da nossa própria economia. Há que alinhar os nossos modelos económicos com o equilíbrio e a integridade dos processos ecológicos.
Ter a preocupação de restaurar, cuidar, curar as "feridas" provocadas ao planeta pelas acções irresponsáveis.
Enfim, assumindo a verdade básica de que apenas se é/existe com todos os outros entes planetários ter presente o significado da reciprocidade. Que no fundo significa o respeito que devo a todo aquele que habita a minha casa. O meu Lar-Planeta.
Como afirma Robin Kimmerer:
Gratitude is our first, but not our only gift. We are storytellers, music makers, devisers of ingenious machines, healers, scientists, and lovers of an Earth who asks that we give our own unique gifts on behalf of life.
Ver mais em : http://www.humansandnature.org/earth-ethic---robin-kimmerer-response-80.php#
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Entrevista ao filósofo ambiental Eugene Hargrove por Magda Carvalho
Eugene Hargrove é um filósofo ambiental norte-americano, editor da prestigiada revista Environmental Ethics , autor de diversos títulos na área de ética ambiental, nomeadamente Foundations of Environmental Ethics (1989) e professor na Universidade de North Texas, onde lecciona ética ambiental.
Magda Carvalho é professora na Universidade dos Açores, tem publicações na área de ética ambiental e é membro da SEA.
Magda Carvalho é professora na Universidade dos Açores, tem publicações na área de ética ambiental e é membro da SEA.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Sobre a Compaixão, uma leitura de Emotional Awareness de Paul Ekman
As emoções unem e dividem o
mundo no qual vivemos desencadeando o melhor e o pior nos nossos
comportamentos, seja a uma escala pessoal e privada, seja a uma escala global.
Sem emoções não haveria lugar
para o amor, a empatia, a compaixão, o heroísmo, mas também não haveria crueldade,
maldade, ódio. O encontro entre Paul Ekman (psicólogo com obra vasta na área
das emoções) e o Dalai Lama traduziu-se numa obra conjunta Emotional Awareness na qual a questão de fundo foi justamente esta:
Como resolver o padrão
conflitivo das emoções e lançar pistas para um mundo globalmente mais
compassivo e equilibrado emocionalmente ?
1ª constatação: o problema do
nosso tempo. A educação é orientada para o individualismo, o egoísmo e a
competição. Em termos globais, as relações internacionais baseiam-se na
rivalidade - a Ásia rivaliza com o Ocidente e procura “ganhar a corrida”. Por
outro lado, expande-se a consciência da interconexão e interdependência dos
diferentes planos e seres da existência no sentido de uma representação
tendencialmente budista do mundo, do planeta. O problema reside na recusa dos
políticos em seguir essa consciência. Por conseguinte, assiste-se hoje, a duas
forças antagónicas em conflito: uma historicamente enraizada impregnando o
tecido político-económico, a outra emergindo como necessidade e
hiper-consciência a partir dos destroços provocados por aquela.
A resolução positiva deste
conflito precisa de equacionar com seriedade o grau de sofrimento e destruição
globais provocados pelo domínio de emoções negativas e re-orientar a
perspectiva do mundo para a riqueza das emoções positivas, como a compaixão e a
solidariedade, em termos de benefícios globais.
Do ponto de vista budista tal
significa a assunção de uma consciência global, ou seja, uma consciência não
confinada a aspectos pontuais e particulares da existência de tal forma que, em
termos pessoais, o ser é capaz de encarar o desaire, seja a dor ou a
frustração, não confinado a uma instância presente específica onde adquire uma
dimensão total e absoluta que é fonte permanente de sofrimento e inquietação.
Uma educação dirigida para este tipo de consciência e cujo enfoque valorize as
emoções positivas é fundamental para que, em termos globais, haja mudanças
estruturais significativas.
Daqui decorre uma segunda
constatação: a cultura da compaixão.
Na prática da meditação budista
há, num 1º momento, uma reflexão profunda sobre a negatividade de uma
consciência limitada e auto-centrada para a compreensão do potencial positivo e
fecundo de uma consciência centrada no outro. A partir dessas reflexões, a
compaixão torna-se uma cultura na prática budista.
Para uma educação alargada de
uma cultura de compaixão é necessário compreender, em 1º lugar, que sem o
interesse próprio não há determinação para o desenvolvimento do ser (quer pessoal,
quer civilizacional), mas há que compreender também que o auto-centramento
exclusivo é nocivo, pois não passa de egoísmo cego e primitivo. É fundamental
também levar as pessoas a entender a compaixão não do ponto de vista de uma
bela ideia, de um nobre ideal, mas do ponto de vista de uma apreciação ancorada
na realidade, cujo potencial fecundo a torna necessária e urgente.
No entanto, como é possível esta
tarefa de reconversão de valores a uma escala global? Será que os americanos,
por exemplo, estarão dispostos a abdicar do consumo exorbitante de petróleo, ou
os ocidentais, em geral, a abandonar dietas ricas em proteínas animais ou,
ainda, os ricos a prescindir das suas vidas de luxo? Enfim, como será possível
partilhar os recursos mundiais quando se tem uma civilização assente na
inequidade ?
3ª constatação: a
sustentabilidade do modus-vivendi
actual.
O ponto de partida dessa mudança
e que as pessoas precisam compreender é, justamente, a sustentabilidade dos
seus próprios modos de vida consumistas e egoístas. Se continuarmos com estes
padrões de consumo, quanto tempo durarão ainda? Se eu pensar nesta questão a
sério, então talvez conclua que será melhor diminuir os meus padrões de consumo
de forma a possibilitar aos meus filhos e netos uma vida com uma dívida menos
pesada. Daí que talvez o sentido da compaixão para com os meus mais próximos
possa constituir uma ajuda na salvação do mundo. Temos de partir deste primeiro
nível – a família - sem esperar que o mundo inteiro vá seguir nesta direcção. Não
esqueçamos, no entanto, que a responsabilidade de pensadores, políticos e
franjas mais esclarecidas da sociedade civil é a de fazer o melhor que podem no
sentido de criar um amanhã sustentável. E é urgente perceber que esta
sustentabilidade exige uma reconversão de valores assente numa mudança emocional
e cognitiva, pois que um mundo verdadeiramente sustentável não poderá ser
atingido sem uma cultura de compaixão, ou, melhor ainda, sem uma consciência
expandida que pensa o Outro, todo o outro - humano e não humano, senciente e
não senciente - e se preocupa com ele. Justamente, preocupar - cuidar- curar,
são termos aparentados, com a mesma raiz, e que exprimem a autêntica humanidade
do Homem – ser-com-outro, ser-no-mundo. A preocupação constitui o primeiro
passo para a cura, possível de alcançar através do cuidado connosco mesmos,
com todo o outro que habita a nossa morada e, naturalmente, com a nossa própria morada (Terra).
Síntese das ideias principais da obra citada
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